Macarrão ao Molho Branco
e cogumelos
+ ALGUMAS VERDADES SOBRE A
INDÚSTRIA DO LEITE E DOS OVOS
 

Olá queridos!

Essa receita é uma daquelas especiais pra quando você que comer algo prático mas ainda assim delicioso e riquíssimo em sabores e texturas!

Eu usei macarrão spaghetti, mas você pode usar a massa que preferir, e até usar esse molho para lasanhas e outros alimentos. Lembrando que o jeito mais fácil de procurar uma massa vegana no mercado é procurando aquelas que são "grano duro", além de mais saborosas elas quase sempre são veganas. Digo quase sempre porque eu pensava que era sempre, mas já vi uma marca que se dizia grano duro e quando conferi os ingredientes ela tinha claras de ovo (!!!). Pois é, isso nos lembra que conferir os ingredientes nunca é demais.

"Mas Juliana, qual o problema em comer ovos e leite? Seria tão fácil encontrar esse prato em restaurantes comuns onde a massa conteria ovos e o molho seria um bechamel de leite e manteiga, por que é que eu vou reinventar essa receita na versão vegana se já posso comer na versão ovolactovegetariana?"


Muitas vezes nós pensamos que os ovos e leite são menos agressivos aos animais, afinal é apenas um derivado e o animal não precisa morrer para consumirmos aquilo, certo? Errado. Para entender porque o consumo de ovos, leites e derivados é tão insustentável primeiro precisamos entender como funciona a indústria agropecuária. 

 

Assim como qualquer outra indústria, e agropecuária visa sempre o lucro. Então primeiro vamos entender como surgem o leite e seus derivados:

Nosso primeiro instinto é pensar que o leite que chega na nossa casa foi tirado de uma vaquinha que viveu feliz da vida com os seus filhotes bezerrinhos, em paz, naturalmente, caminhando pelos campos, até que ela ficou velhinha e morreu.

Mas não, no geral, a pecuária que alimenta o Brasil e que é exportada ocorre de forma muito mais intensa visando o maior lucro possível. As vacas são produzidas em escala industrial, através da inseminação artifical do sêmen dos bois que é retirado deles e inserido a força em cada vaca - uma indústria que movimenta milhões. 

Depois, as vacas vivem uma vida baseada em engordar anormalmente e sobreviver às péssimas condições sanitárias dos locais onde vivem à base de hormônios e antibióticos - que não só contaminam seu sangue e leite, como também saem em suas fezes e urina sendo um fator considerável entre os poluentes que contaminam nossos recursos hídricos.

Os filhotes são separados das mães assim que nascem, para que o leite possa ser retirado. Depois, são separados os machos das fêmeas: as fêmeas vão viver uma vida de medicamentos e estupro assim como suas mães, e os machos são vendidos à preços baixíssimos, mortos ou simplesmente confinados em pequenos cubículos para se tornarem a famosa carne tipo "baby beef" (ela é macia pois os filhotes são amarrados e não formam seus músculos, na internet é possível encontrar imagens que mostram o estado deplorável que ficam esses filhotes: jogados ao chão literalmente sem músculos e forças para se levantarem aguardando o abate).

E o que acontece com as vacas que tiveram esses filhotes? Elas são exploradas até o esgotamento, quando suas mamas criam feridas e param de dar leite (você sabia que a incidência de feridas é tão grande e inevitável que existe no Brasil uma porcentagem de sangue e pus permitida no leite pela EMBRAPA?) Pois bem, a indústria do leite nasceu para possibilitar um maior lucro da indústria agropecuária. Pois uma vez que essas fêmeas estão completamente desgastadas elas são abatidas e vendidas junto com as outras carnes. Ou seja, beber leite e seus derivados é financiar a indústria da carne de forma tão cruel quanto consumir a própria carne.

O motivo pelo qual o consumo de ovos de granja é tão cruel é praticamente o mesmo do leite. Assim como as vacas, as galinhas são mantidas em péssimas condições de vida e higiene. Elas ficam apinhadas em pequenas gaiolas (ou no caso das "galinhas soltas", "livres", etc, a única diferença é que elas ficam apinhadas dentro de um galpão), cada uma delas tem seus bicos cortados e são impedidas de ciscar - algo que a galinha faz naturalmente para escolher seu alimento. A situação de estresse faz com que as galinhas desenvolvam doenças e muita irritação - o que leva muitas delas até ao canibalismo (!), outro motivo pelo qual elas tem seus bicos cortados fora.  

Assim como com os bezerros, as galinhas tem seus filhotes machos descartados - e por descartados entenda: os pintinhos são literalmente jogados num moedor e dilascerados vivos. Para você ter ideia, o Brasil tritura cerca de 90 milhões de pintinhos vivos POR ANO. Enquanto as femeas são levadas para uma vida igual à das mães.

 

Acredito que aí em cima já tem alguns motivos suficientes para você não querer financiar a indústria agropecuária. Mas se você ainda quer mais informações, vou deixar alguns links práticos sobre os malefícios desse consumo não apenas para os animais mas também para nossa saúde e para o planeta (lembrando que 80% do desmatamento da Amazônia é causado pelo Agronegócio!)

 

INGREDIENTES PARA O MOLHO:

Essa receita pode ser feita 100% a olho, mas como eu sei que vocês gostam de medidas, vou tentar passar uma média para dois pratos! Lembrando que você pode usar tofu firme ou soft, se usar o firme terá que adicionar um tiquinho a mais de água e se usar o soft, um tiquinho a menos. Vá testando e percebendo o que você prefere!

- 200g de tofu (mais ou menos 1/2 peça)

- 2 colheres de sopa de levedo de cerveja (lembre-se de comprar a granel pois é bem mais barato!)

- azeite e sal à gosto

- 1/2 cebola picadinha

- 1 col de chá de açúcar mascavo

-1 xícara de cogumelos secos picadinhos da sua escolha, eu gosto de usar os chilenos nessa receita, pois eles são bem saborosos

- Mistura de temperos à gosto, eu uso uma pitada de cada um desses:

  • páprica picante

  • pimenta preta

  • alho em pó

  • noz-moscada

  • açafrão em pó

  • fumaça em pó 

*DICAS PARA O MACARRÃO:

Siga as instruções da embalagem à risca! Ferva bem a água e adicione 1/2 colher de sopa de sal antes de acrescentar o macarrão. Cada massa tem seu tempo de cozimento, por isso ler as instruções e conferir o relógio fará toda diferença na textura e sabor da sua massa!

E sem enrolar viu, quando atingir o tempo de cozimento, escorra a massa, afinal mesmo com o fogo desligado, sua massa continuará cozinhando se você deixá-la na água quente. 

PREPARO:

1) Começo lavando bem os cogumelos (para tirar sujeirinhas como terra ou areia) em seguida coloco eles para hidratar em água fervente e deixo até que fiquem bem macios. Depois, escorro por uma peneira sem descartar a água e guardo em um potinho pois vamos usá-la depois. Essa água é super saborosa pois extraiu boa parte do sabor dos cogumelos, mas o uso dela é opcional, então não se preocupe se estiver fazendo com cogumelos frescos que não vão precisar de hidratação.

2) Em seguida vamos refogar os cogumelos na frigideira com azeite, sal e o mix de temperos que sugeri nos ingredientes até que eles fiquem bronzeadinhos.

3) Enquanto os cogumelos estão na frigideira, coloque o tofu com bastante azeite, sal e o levedo em um processador (ou liquidificador, mixer, etc) e bata até formar um creme, para isso, vá adicionando aos poucos a água dos cogumelos até chegar em uma consistência semelhante à de um creme de leite.

4) Para finalizar, em uma panelinha pequena, aqueça azeite e refogue a cebola picadinha acrescentando o açúcar mascavo para equilibrar a acidez e dar uma leve caramelizada, e depois acrescente nosso molho e os cogumelos. Prontinho, agora é só servir com o macarrão e aproveitar!

Espero que tenham gostado, essa receita parece complexa, mas ela é muito dinâmica e intuitiva. Então não se preocupe em seguir cada detalhe com rigor, vá no improviso se precisar, acrescente e retire o que quiser, não há certos e errados na gastronomia vegana, o certo é você ser feliz e permitir o mesmo aos animais, o resto a gente inventa!


Espero que gostem dessa receita! Não se esqueça de fotografar e postar uma foto nos stories marcando o @palmavegan pra que eu possa ver a sua versão! Um beijo enorme, #considereoveganismo e até a próxima!

 

© 2020 Todas as imagens e receitas são de autoria de Juliana Palma e estão protegidas pelas leis de direito autoral

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